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quinta-feira, julho 16, 2009


O CURA D’ARS, SÃO JOÃO VIANNEY

São João Maria Vianney


De 19 de junho desse ano a 19 de junho de 2010, a Igreja católica propõe um ANO SACERDOTAL, um ano de oração pelos padres e um ano de conscientização de seu valor e missão. Esse ANO se insere nos 150 anos de morte de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars.
Recordar São João Vianney é recordar a comovente simplicidade de um padre cujo único e glorioso título é “O Cura de Ars”, o vigário da pequena Ars. Servindo-se de um paradoxo profundamente cristão, em uníssono com uma palavra de Santo Agostinho, ele dizia aos seus paroquianos: “Nós devemos nutrir um grande amor por todos os homens, pelos bons e pelos maus. Quem tem o amor não pode dizer que alguém faça o mal, porque o amor perdoa tudo”. Esse foi seu segredo e é esse segredo que ele passa a quem é cristão: ser rigoroso com o pecado, nunca com o pecador.
João Maria Vianney nasceu em Dardilly, França,.em 8 de maio de 1786, filho do casal Mateus e de Maria Béluse, que deram aos filhos uma formação cristã sólida e pródiga em obras de caridade.
Eram tempos da Revolução Francesa (1789) e o novo pároco de Dardilly tinha prestado juramento à Constituição Civil do Clero. Para os Vianney, segui-lo era rejeitar a autoridade do papa e ingressaram no círculo de um padre “refratário” (que não prestou o juramento). Não pôde fazer a primeira comunhão na igreja, porque estava fechada ao culto, mas em uma clareira onde o padre se havia escondido, aos 13 anos. No dia da Crisma acrescentou o Batista a seu nome: João Batista Maria Vianney.
Dois aspectos marcaram profundamente a vida de João Maria: a educação cristã da família e o testemunho corajoso do padre refratário. Pouco a pouco amadureceu nele a idéia de tornar-se padre. Escolha confirmada aos 20 anos de idade. Mas, não tinha um mínimo de instrução e por isso não foi aceito no Seminário de Lyon. Mas foi acolhido na casa paroquial de Écully, cujo pároco, Pe. Balley, pacientemente lhe deu a primeira instrução. Foi um homem santo que percebeu a interioridade do jovem: “É um jovem que reza. A graça de Deus fará o resto”.
Ordenado presbítero em 13 de agosto de 1815, com 29 anos, foi nomeado coadjutor do Pe. Balley, com este competindo na vida de oração, penitência, abnegação e jejum. Foram dois anos preciosos para complementar sua formação cultural e com a graça de ser jovem sacerdote junto a um velho e sábio sacerdote, morto em 1817. Nesses anos não tinha a faculdade de ouvir confissões, pois julgavam-no incapaz de dirigir consciências.
Em 1818 foi nomeado cura (pároco em 1821) da pequena Ars-en-Dombes, com pouco mais de 250 moradores, mais assíduos à taberna e aos bailes que à igreja.
A Eucaristia, a catequese e a confissão formam o núcleo de todo seu trabalho e da vida cristã. Gosta de ter a igreja arrumada, paramentos e toalhas limpos e bem passados. Nada é bastante para agradar a Deus. Diferente de tantos padres de seu tempo, Pe. Vianney dá uma enorme importância à instrução dominical, à homilia. Numa linguagem moderna, diríamos que o Cura d’Ars iguala a Liturgia da Palavra com a Liturgia Eucarística: “Nosso Senhor, que é a própria Verdade, não dá menos importância à sua palavra do que ao seu corpo. Não sei se é mais prejudicial ter distrações durante a Missa do que durante as instruções, eu não vejo diferença. Durante a Missa, deixamos perder os méritos da Morte e Paixão de Nosso Senhor, e durante as instruções deixamos perder sua palavra que é ele mesmo”.
Foram necessários 10 anos para que o povo aprendesse o caminho da igreja paroquial.
Aprendeu atraído por aquele padre pobre entre os pobres, capaz de tirar não só o manto, mas também toda a vestimenta, para dar aos pobres. Muitas vezes voltou para casa descalço.
Pe. João foi um homem marcado pelas doenças: agripnia, distúrbios pulmonares, pleuropulmonite na base do pulmão direito, nevralgias faciais, dor de dente, enterocolite, hérnias, reumatismos, etc. Tudo isso lhe dava forças para trabalhar, amar e expiar os pecados do mundo. Recompensava seu corpo com uma refeição diária com batatas cozidas dias antes, três horas de sono deitado numa táboa de madeira, mortificações corporais. Possuía uma receita para as dificuldades, calúnias, críticas, dores, humilhações: Não tenho outro recurso contra essa tentação de desespero que me jogar aos pés do Tabernáculo como um cãozinho aos pés do seu dono”.
Seu grande ministério foi o das Confissões, geralmente 17 horas diárias, interrompidas às 11 horas para uma pequena catequese ao povo. Tinha o dom de ler as consciências, curava as almas, e também os corpos. Era misericordioso nas penitências dadas aos pecadores: uma breve oração, pois, dizia, “a penitência maior fica ao meu encargo”. Vivia uma visão bíblica e singela da misericórdia divina: “Deus perdoa o pecador mais depressa do que uma mãe salva o filho do fogo”.
Expulsava os demônios, mas suportava o feio diabo que o atormentava de todos os modos durante as poucas horas que dedicava ao sono. Dava-lhe o nome de Grappin (Gancho). O demônio tinha prazer em perturbar suas poucas horas de sono. Fazia tanta arruaça que os vizinhos, sem saber quem era, diziam que “nosso vigário é muito barulhento!”. Depois compreenderam o que acontecia.
Pe. João Maria ouvia uma média anual de 80 mil confissões. As multidões que de toda a França e de outras nações européias acorriam a Ars escandalizavam a intelectualidade francesa, ciosa de seu racionalismo e de seu desprezo pela Igreja católica. Chegaram a dizer que o humilde “Pe. João Vianney perturbou o século XIX”.
Era tal a multidão que acorria a Ars que o Governo francês, anti-cristão, teve de se conformar e construir uma ferrovia ligando Lyon a Ars. O bispo nomeou-o “Cônego Honorário: Vianney vendeu a murça por 50 francos, para uma obra de caridade. Rejeitou as distinções, pois dizia ser muito ridículo apresentar-se diante de Deus com essas bugigangas e dele ouvir: “Já foi recompensado!”
Para atender as jovens carentes instituiu a Casa da Providência e, em seguida, outra, para os jovens, depois confiadas às Irmãs Filhas de São José. Tinha consciência da importância da instrução, ele que dela fora privado. Criou instituições para os famintos, pobres e sofredores. Construiu nova igreja paroquial. Estimulou as missões paroquiais e diocesanas. Ars tornou-se centro de irradiação missionária.
Achava-se tão indigno de ser vigário que por duas vezes tentou fugir de Ars (1843 e 1853), pois desejava ingressar num mosteiro: o povo conseguiu alcançá-lo e trazer de volta…

Sem. Agnaldo Bueno / By admin

quarta-feira, julho 08, 2009

Caritas in veritate, um documento social profundamente teológico

Caritas in veritate é um documento social, a primeira encíclica sobre a situação do mundo na época da globalização. Mas é também um documento profundamente teológico. Os últimos decénios tornaram-se testemunhas da ruptura de continuidade da mensagem cultural. A linguagem cristã para muitos deixou de ser um portador evidente de conteúdos que trata seriamente. Pelo contrario esta encíclica contém uma síntese dos pensamentos do Papa e das experiencias da Igreja, uma síntese que é verdadeiramente universal e reflecte sobre situações muito diferentes, crescidas em contextos muitas vezes contrastantes dos respectivos países, continentes, nações; reflecte sobre as condições dos mecanismos económicos e da força, mas também das dificuldades e fraquezas, das organizações internacionais no período da globalização.A nova encíclica é um elemento, uma força, não só para superar a crise, mas para seguir em frente no caminho do desenvolvimento para o bem de cada um e de todos. Mas é também um desafio. Assinada a 29 de Junho de 2009 a encíclica tem como titulo “O amor na verdade” e já na introdução o Papa afirma que “a caridade na verdade”, da qual Jesus Cristo que fez testemunha com a sua vida terra e sobretudo com a sua morte e ressurreição, “é a principal força propulsiva para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira” Ela dá verdadeira substancia á relação pessoal com Deus e com o próximo; é o principio não só das micro - relações: relações amistosas, familiares, de pequeno grupo, mas também das macro - relações: relações sociais, económicas, politicas.A carta do Santo Padre aos participantes do G8 está fundada no facto de que a encíclica contém uma análise coerente dos mecanismos sócio –económicos , culturais e políticos do mundo da época da globalização e procura inspirar as mudanças muito profundas a nível internacional, encoraja a reflectir sobre a urgente necessidade de uma nova autoridade politica mundial e de uma profunda e eficaz reforma da ONU. Exorta a reflectir também sobre o repensamento do papel dos mass media na época da globalização e sobre as novas possibilidades tecnológicas. É claro que os grande grupos de interesse desejariam conservar o seu status quo para continuar a armazenar grandes lucros á custa da maioria da população mundial. Por isso não lhes será fácil aceitar este documento que exige a coragem de empreender ações concretas sobre os problemas novos sublinhados por Bento XVI. Na encíclica , encontra-se uma ampla lista. Só um exemplo: João Paulo II na Centesimus annus, sublinhou a necessidade de um sistema com três sujeitos isto é, o mercado, o Estado e a sociedade civil. “Ma época da globalização, deve - se modificar a maneira de assegurar uma forma concreta e profunda de democracia económica. A solidariedade sentir-se todos responsáveis de todos não pode ser delegada apenas ao Estado.O problema crucial será a capacidade de compreender de maneira responsável a voz do Papa e da Igreja sobre o papel da dignidade da pessoa humana. De cada um e de todos. E de afirmar que a questão social se tornou radical mente questão antropológica, no sentido que ela implica a própria maneira não só de conceber, mas também de manipular a vida, cada vez mais colocada pelas biotecnologias nas mãos do homem. As biotecnologias, mas também o mercado, também o lugar e as regras das grandes empresas internacionais; o significado da cultura das populações e das nações. Muito depende da frescura intelectual necessária para avaliar os comportamentos culturais, o papel do estado na época da globalização, da educação, do fenómeno das migrações, sobre a transformação do trabalho e do desemprego e as consequências que produz nas pessoas dos trabalhadores, das famílias, da vida da sociedade civil como tal. O testo fala muito da nova situação do mundo sindical, da arquitectura económica e financeira internacional. Mas o fundamento de qualquer avaliação é a abertura ao Absoluto. Como salienta Bento XVI na conclusão da sua encíclica, “só um humanismo aberto ao Absoluto pode guiar-nos na promoção e realização de formas de vida social e civil no âmbito das estruturas, das instituições, da cultura, do ethos preservando-nos do risco de cairmos prisioneiros das modas do momento. É a consciência do Amor indestrutível de Deus que nos sustenta no fadigoso e exaltante compromisso a favor da justiça, do desenvolvimento dos povos, por entre êxitos e fracassos, na busca incessante de ordenamentos rectos para as realidades humanas. O amor de Deus chama-nos a sair daquilo que é limitado e não definitivo, dá-nos coragem de agir continuando a procurar o bem de todos, ainda que não se realize imediatamente e aquilo que conseguimos actuar nós e as autoridades políticas e os operadores económicos seja sempre menos de quanto anelamos.
Deus dá-nos a força de lutar e sofrer por amor do bem comum, porque Ele é o nosso Tudo, a nossa esperança maior".

Sem: Agnaldo Bueno - http://www.radiovaticana.org/

terça-feira, julho 07, 2009

"Podemos olhar para uma simples folha e imaginar

a grandeza que há por trás da simplicidade da folha".

Sem. Agnaldo Bueno

sábado, julho 04, 2009

Intenções de Sua Santidade para o mês de JULHO DE 2009



Intenção Geral:


A fim de que os cristãos no Oriente Médio possam viver sua fé em plena liberdade e ser instrumento de reconciliação e de paz.



Intenção Missionária:


A fim de que a Igreja seja germe e núcleo de uma humanidade reconciliada e reunificada na única família de Deus, graças ao testemunho de todos os fiéis em cada país do mundo.

"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas... Continue, quando todos esperam que desistas. Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca se detenha"

terça-feira, junho 30, 2009

INDULGÊNCIAS POR OCASIÃO DO ANO SACERDOTAL

Como já foi anunciado, Bento XVI decidiu proclamar um especial Ano Sacerdotal por ocasião do 150º aniversário da morte do santo Cura d'Ars, João Maria Vianney, luminoso modelo de pastor, plenamente dedicado ao serviço do povo de Deus. Durante o Ano Sacerdotal, que terá início a 19 de Junho de 2009 e se concluirá a 19 de Junho de 2010, será concedido o dom de indulgências especiais, segundo o que está descrito no seguinte Decreto da Penitenciaria Apostólica.


PAENITENTIARIA APOSTOLICA

URBIS ET ORBIS
D E C R E T O

Serão enriquecidos com o dom de Sagradas Indulgências, particulares exercícios de piedade, a realizar-se durante o Ano Sacerdotal proclamado em honra de São João Maria Vianney.
Aproxima-se o dia no qual se comemorarão os 150 anos do piedoso trânsito para o céu de São João Maria Vianney, Cura d'Ars, que aqui na terra foi um admirável modelo de verdadeiro Pastor ao serviço do rebanho de Cristo.
Dado que o seu exemplo é adequado a estimular os fiéis e, principalmente, os sacerdotes a imitar as suas virtudes, o Sumo Pontífice Bento XVI estabeleceu que, para esta ocasião, de 19 de Junho de 2009 a 19 de Junho de 2010 seja celebrado em toda a Igreja um especial Ano Sacerdotal, durante o qual os sacerdotes se reforcem cada vez mais na fidelidade a Cristo com meditações piedosas, exercícios sagrados e outras obras oportunas.
Este período sagrado terá início com a solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, dia de santificação sacerdotal, quando o Sumo Pontífice celebrará as Vésperas na presença das sagradas relíquias de São João Maria Vianney, trazidas a Roma pelo Excelentíssimo Bispo de Belley-Ars. O Beatíssimo Padre também concluirá o Ano Sacerdotal na Praça de São Pedro com os sacerdotes provenientes de todo o mundo, que renovarão a fidelidade a Cristo e o vínculo de fraternidade.
Os sacerdotes empenhem-se com orações e boas obras, em obter do Sumo e Eterno Sacerdote Cristo a graça de resplandecer com a Fé, a Esperança, a Caridade e outras virtudes, e mostrem com o comportamento de vida, mas também com o aspecto exterior, que estão a dedicar-se plenamente ao bem espiritual do povo; o que, sobre todas as outras coisas, a Igreja teve sempre a peito.
Para alcançar do melhor modo a finalidade desejada, beneficiará muito o dom das Sagradas Indulgências, que a Penitenciaria Apostólica, com o presente Decreto emanado em conformidade com a vontade do Augusto Pontífice, benignamente concede durante o Ano Sacerdotal:
A. Aos sacerdotes verdadeiramente arrependidos, que em qualquer dia devotamente recitarem pelo menos as Laudes matutinas ou as Vésperas diante do Santíssimo Sacramento, exposto à pública adoração ou reposto no tabernáculo e, a exemplo de São João Maria Vianney, se oferecerem com ânimo pronto e generoso à celebração dos sacramentos, sobretudo da Confissão, concede-se misericordiosamente em Deus a Indulgência plenária, que poderá inclusive ser aplicada aos irmãos defuntos como sufrágio; se, em conformidade com as disposições vigentes, se aproximarem da confissão sacramental e do Convívio eucarístico, e rezarem segundo as intenções do Sumo Pontífice.
Além disso, aos sacerdotes concede-se a Indulgência parcial, também aplicável aos irmãos defuntos, cada vez que recitarem devotamente orações devidamente aprovadas a fim de que conduzam uma vida santa e cumpram santamente os ofícios que lhes forem confiados.
B. A todos os fiéis verdadeiramente arrependidos que, na igreja ou no oratório, assistirem devotamente ao divino Sacrifício da Missa e oferecerem, pelos sacerdotes da Igreja, orações a Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, e qualquer obra boa realizada naquele dia, a fim de os santificar e plasmar segundo o Seu coração, concede-se a Indulgência plenária, contanto que tenham expiado os próprios pecados com a penitência sacramental e elevado orações segundo as intenções do Sumo Pontífice: nos dias em que se abre e se encerra o Ano Sacerdotal, no dia do 150º aniversário do trânsito piedoso de São João Maria Vianney, na primeira quinta-feira do mês ou em qualquer outro dia estabelecido pelos Ordinários dos lugares, para a utilidade dos fiéis.
Será muito oportuno que, nas igrejas catedrais e paroquiais, sejam os próprios sacerdotes prepostos ao cuidado pastoral a dirigir publicamente estes exercícios de piedade, a celebrar a Santa Missa e confessar os fiéis.
Aos idosos, doentes e a todos os que por motivos legítimos não puderem sair de casa, com o ânimo desapegado de qualquer pecado e com a intenção de cumprir, assim que possível, as três condições de costume, na própria casa ou onde estiverem a viver, concede-se de igual modo a Indulgência plenária se, nos dias acima determinados, recitarem orações pela santificação dos sacerdotes e oferecerem a Deus com confiança as doenças e as dificuldades da sua vida, por intermédio de Maria, Rainha dos Apóstolos.
Enfim, concede-se a Indulgência parcial a todos os fiéis todas as vezes que recitarem devotamente cinco Pai-Nossos, Ave-Marias e Glórias, ou outra oração devidamente aprovada, em honra do Sacratíssimo Coração de Jesus, a fim de obter que os sacerdotes se conservem em pureza e santidade de vida.
O presente Decreto é válido por toda a duração do Ano Sacerdotal. Não obstante qualquer disposição contrária.
Dado em Roma, na sede da Penitenciaria Apostólica, a 25 de Abril, festa de São Marcos Evangelista, do ano da Encarnação do Senhor de 2009.


James Francis Card. Stafford Penitenciário-Mor
GianfrancoGirotti,O.F.M.,Conv. Bispo Titular de Meta, Regente

quinta-feira, junho 25, 2009

Sobre a Maneira de Rezar - São Cipriano, Bispo de Cartago (+258)

1. Os preceitos evangélicos não são outra coisa, Irmãos Caríssimos, senão os ensinamentos divinos, fundamentos para edificar a esperança, provações para robustecer a fé, alimento para nutrir a alma, leme para dirigir a navegação, presídio para a salvação.

Ao mesmo tempo que iluminam os crentes dóceis sobre a terra, guiam-nos até aos reinos celestesDeus quis que muitos ensinamentos nos fossem dados por meio dos Profetas, Seus Servos. Mas quão superiores são as palavras do Seu Filho, aquelas palavras que o Verbo de Deus, já ressonante nos Profetas, atesta com a Sua viva voz.

Já não é alguém que vem aplanar os caminhos d'Aquele que há de vir, mas Aquele que veio e nos abre e mostra o caminho. Deste modo os que, antes, incautos e cegos cambaleavam nas trevas da morte, iluminados agora pela luz da graça, podem seguir na vida sob a guia e o governo de Cristo.2. Entre outros conselhos salutares e ensinamentos divinos com os quais provê à salvação do Seu povo, Cristo deu também a norma da oração, e Ele mesmo nos mostrou e ensinou como devemos rezar.

Aquele que nos deu a vida, ensinou-nos a pedir, com a mesma benevolência com que Se dignou dar-nos os outros bens. Assim rezando ao Pai com a oração do Filho, somos mais facilmente ouvidos.Já antes tinha anunciado o dia em que os verdadeiros adoradores aprenderiam a adorar o Pai em espírito e em verdade (Jo. 4, 23), mas agora cumpre a promessa e faz de nós, santificados pelo espírito de verdade, verdadeiros e espirituais adoradores, conformes ao Seu ensinamento.Que oração haverá mais espiritual do que aquela que nos ensinou Cristo, o qual enviou sobre nós o Espírito de Verdade? Que oração será mais verdadeira do que aquela que saiu dos lábios de Quem é a verdade?

Portanto, rezar de outra maneira diferente da que Cristo nos ensinou, não só é um ato de ignorância, mas uma culpa, pois Ele mesmo disse: “Vós rejeitastes o mandamento de Deus para acreditar na vossa doutrina” (Mc.7,8).3. Seja a nossa oração a que o nosso Mestre nos ensinou.

É cara e familiar a Deus a oração composta pelo Seu mesmo Filho. Assim, quando rezamos, o Pai reconhece as palavras do Filho.Aquele que é hóspede do nosso coração esteja também nos nossos lábios. Se Cristo está junto do Pai como advogado para os nossos pecados, nós pecadores devemos rogar o perdão dos pecados com as mesmas palavras do Advogado.

De fato, se Ele nos prometeu obter tudo o que pedirmos ao Pai em Seu Nome (Jo. 16, 23), quanto mais eficazmente obteremos o que pedimos em Nome de Cristo se o pedimos com a Sua mesma oração?4. Os que rezam, tenham devoção à doçura das palavras. Pensemos estar na presença de Deus e por isso devemos ser aceites aos Seus olhos pela atitude do corpo e pela maneira como rezamos. Como é imprudente quem pede sem piedade, assim a oração convém que seja em tom respeitoso e submisso.

O Senhor ensinou-nos a rezar no silêncio e nos lugares escondidos das nossas casas. Esta atitude é mais adequada à nossa fé para que saibamos e jamais olvidemos que Deus está em toda a parte, vê tudo e atende a todos, enche com a plenitude da Sua majestade os lugares mais recônditos.Está escrito: “Não sou Eu o Deus do alto e o Deus que está a teu lado? Se o homem se esconde, deixo acaso de o ver? Não sou Eu que encho o céu e a terra?” (Jr. 23, 23-24). “Em todo o lugar os olhos de Deus observam os bons e os maus” (Pv. 15,3).

E quando nos juntamos aos outros irmãos para celebrar com o Sacerdote o Sacrifício divino, devemos recordar-nos de ser devotos e disciplinados na oração e não espalhá-la ao vento numa seqüência de palavras, nem dirigi-Ia a Deus precipitadamente, mas sim com propósitos. Deus não escuta a voz, mas o coração. Deus, que perscruta os pensamentos humanos, não quer ser rogado com gritos.

Diz assim o Mestre: “Que andais vós a ruminar nos vossos corações” (Lc. 5, 22) e ainda: “Todas as Igrejas saibam que Eu perscruto os rins e os corações” (Ap. 2, 23).5. Já nos mostra isto o primeiro Livro dos Reis com o exemplo de Ana, figura da Igreja. Ana rezava ao Senhor não com palavras clamorosas mas na humildade e no silêncio com o seu coração. A sua oração era oculta, mas era manifesta a sua fé. Falava com o coração e não com a boca, porque só assim era ouvida por Deus. Por isso obteve o que pediu, porque rezou com fé, como atesta a Sagrada Escritura: “Falava no seu coração.

Os seus lábios moviam-se, mas não se percebia a sua voz. E Deus escutou-a” (1 Re. 1, 13). O mesmo se lê nos Salmos (5, 5): “Pensai no silêncio dos vossos quartos”. Jeremias põe na boca de Deus estas palavras: “Encontrar-Me-eis se Me procurardes com todo o coração” (Jr. 24, 13).6. Quando rezarmos não esqueçamos o publicano no templo, que não ousava levantar os olhos ao céu nem se atrevia a elevar as mãos, mas batia no peito em sinal de detestação dos seus pecados, e assim pedia a ajuda da misericórdia divina.

Enquanto o fariseu se comprazia a si mesmo, o publicano, com a sua oração, mereceu ser santificado mais, visto que colocou a esperança da sua salvação não na sua inocência - pois ninguém é inocente - mas na humilde confissão dos seus pecados. E, Aquele que do Céu perdoa os humildes, ouviu a sua oração, como se lê na parábola evangélica que se segue: «Dois homens subiram ao templo para rezar; um era fariseu, o outro era publicano. O fariseu, de pé, rezava assim: “Eu Te dou graças, ó Deus, porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros; nem tão pouco sou como aquele publicano. Eu jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus bens”.

O publicano, ao contrário, lá longe, nem se atrevia a erguer os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: “Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador”. Pois Eu vos digo que este voltou justificado para sua casa. Não aconteceu o mesmo com o outro, pois quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc. 18, 10-14).

Também os Apóstolos, com todos os discípulos, rezavam assim depois da Ascensão do Senhor: «Perseveravam todos unanimemente na oração, com as mulheres e com Maria, Mãe de Jesus, e com os Seus irmãos» (At. 1, 14).

Perseveravam concordemente na oração e assim demonstravam, com a assiduidade e unanimidade da sua oração, que Deus «faz habitar sob o mesmo teto todos os que estão de acordo» (Sl. 57, 7) e não admite à Sua divina e eterna habitação senão aqueles cuja oração é comum e unânime.

Seminarista Agnaldo Bueno / http://www.sociedadecatolica.com.br/

terça-feira, junho 23, 2009

SER SACERDOTE

SER TODO DE DEUS



(Oração indulgenciada por S. Pio X em 03/03/1905)


Ó Jesus, Pontífice Eterno, Divino Sacrificador, Vós que, no Vosso incomparável amor, deixastes sair do Vosso Sagrado Coração o sacerdócio cristão, dignai-Vos derramar, nos Vossos sacerdotes, as ondas vivificantes do Amor infinito.
Vivei neles, transformai-os em Vós, tornai-os, pela Vossa graça, instrumentos de Vossas Misericórdias.
Atuai neles e por eles, e fazei que, revestidos inteiramente de Vós pela fiel imitação de Vossas adoráveis virtudes, operem, em Vosso nome e pela força de Vosso espírito, as obras que Vós mesmo realizastes para a salvação do mundo.
Divino Redentor das almas, vede como é grande a multidão dos que dormem ainda nas trevas do erro; contai o número dessas ovelhas infiéis que ladeiam os precipícios; considerai a multidão dos pobres, dos famintos, dos ignorantes e dos fracos que gemem ao abandono.
Voltai para nós por intermédio dos Vossos sacerdotes. Revivei neles; atuai por eles, e passai de novo através do mundo, ensinando, perdoando, consolando, sacrificando, e reatando os laços sagrados do amor entre o Coração de Deus e o coração humano.
Amém.

Do livro «O Sagrado Coração e o Sacerdócio», de Madre Luísa Margarida Claret de La Touche
Sacerdote, dom para humanidade ao viver sua vocação

O porta-voz vaticano explica o objetivo do Ano Sacerdotal (21 de junho de 2009 ).
A Igreja começou um ano para redescobrir no sacerdócio um dom do Senhor para cada alma, explica o porta-voz da Santa Sé.
O Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, explicou no último editorial de Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano, do qual também é diretor, que “o serviço do sacerdote é de fundamental importância na vida da Igreja. Mas é um ministério que hoje atravessa muitas dificuldades”.
Este ano – esclarece o porta-voz – responde, assim, às dificuldades que o sacerdote experimenta hoje, devidas a diversos fatores: “O clima geral de secularização em vastas regiões do mundo, uma menor valorização do papel do sacerdote na sociedade, as profundas feridas sofridas pela imagem pública dos sacerdotes por causa de comportamentos indignos de alguns deles e inclusive a própria e justa valorização das vocações leigas na Igreja”.
Segundo o Pe. Lombardi, diante dessas dificuldades, “O Papa não responde com considerações sociorreligiosas, mas promove o compromisso de renovação interior de todos os sacerdotes, para que seu testemunho evangélico no mundo de hoje seja mais intenso e incisivo.
A carta que o Papa dirigiu a todos os seus irmãos no sacerdócio ao inaugurar o Ano Sacerdotal, “não parte do exterior, mas do coração da vocação sacerdotal, do modelo concreto de santidade sacerdotal que nos oferece o Santo Cura de Ars, São João Maria Vianney”.
“Pode parecer quase uma provocação apresentar como referência espiritual os sacerdotes do mundo inteiro e um pároco que viveu em uma pequena localidade francesa de 200 pessoas, falecido há 150 anos”, reconhece o Pe. Lombardi.
“Mas se o sacerdote vive verdadeiramente da Eucaristia e do serviço da reconciliação entre Deus e os homens – acrescenta –, isto é, da manifestação da misericórdia de Deus, o tempo e o lugar se tornam secundários.”
Por isso, assegura o porta-voz, nesta carta que o Papa enviou aos presbíteros “há um toque profundo de espiritualidade, uma grande ternura de amor por Jesus e pelas pessoas, em particular pelas que estão espiritualmente longe de Deus ou em dificuldades.
“Por acaso não existe uma urgente e gigante necessidade desse amor, que procura fazer-se presente no coração de cada um? – pergunta-se o Pe. Lombardi. Por esta razão, o Papa fala do sacerdote como de um dom à Igreja e à própria humanidade. Naturalmente, se ele viver sua vocação.”

Seminarista Agnaldo Bueno / http://www.zenit.org/