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quarta-feira, junho 09, 2010


Um sacerdote não pode viver sem oração


Carta do prefeito da Congregação para o Clero aos presbíteros
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 9 de dezembro de 2009.
Sem a oração, o sacerdote não pode viver, reconhece o cardeal Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, em uma carta enviada este mês aos sacerdotes, por ocasião do Ano Sacerdotal.
“Não é difícil de entender, porque a oração cultiva a intimidade do discípulo com seu Mestre, Jesus Cristo. Todos sabemos que, ao esvaecer-se a oração, debilita-se a fé e o ministério perde conteúdo e sentido.”
“A consequência existencial para o presbítero exprime-se em menor alegria e felicidade no ministério quotidiano. É como se o presbítero, ao seguir os passos de Jesus, lado a lado com tantos outros, perdesse o passo no caminho, ficando sempre mais para trás e mais distante do Mestre, até perdê-lo de vista no horizonte. A partir de então, caminha sem rumo e vacilante.”
Mas a falta de oração não afetará somente o presbítero, e sim toda a sua comunidade eclesial, já que “sem pastores, nossas comunidades serão destruídas!”.
“A exemplo de Moisés, deve permanecer de braços erguidos ao céu, em oração, para que o povo não pereça”, assegura.
“Por esta razão, para continuar fiel a Cristo e à comunidade, o presbítero precisa ser homem de oração, homem que vive na intimidade do Senhor. Necessita, além disso, ser confortado pela oração da Igreja e de cada cristão”, afirma.
“As ovelhas devem rezar por seu pastor! Mas, quando este se dá conta que sua própria vida de oração enfraquece, é hora de dirigir-se ao Espírito Santo e implorá-lo com ânimo de pobre. O Espírito reacenderá o fogo em seu coração. Reacenderá a paixão e o encanto para com o Senhor.”

sexta-feira, junho 04, 2010

"O amor é, em seu sentido íntimo, doação do próprio ser e união como amante. O espírito divino, a vida divina, o amor divino – tudo isso não significa nada mais do que: Deus mesmo – conhece-o quem faz a vontade de Deus. Pois, na medida em que ele faz, com a mais íntima doação, aquilo que Deus exige dele, a vida divina torna-se sua vida íntima: ele encontrará em si, quando entrar em si".


Santa Teresa benedita da Cruz

terça-feira, junho 01, 2010


Por isso durante todo este mês de junho, em comemoração, estaremos postando diversas matérias sobre "A Devoção ao Sagrado Coração de Jesus."Nossa primeira matéria fala sobre o início dessa tão imporante e sagrada devoção.
O primeiro devoto desse Sagrado Cora­ção é o Apóstolo amado, São João Evange­lista, o qual se reclinau no peito do Divino Mestre.
Entre os Padres da Igreja que escreve­ram sobre essa devoção encontram-se Tertuliano, São Cipriano, Santo Ambrósio, São João Crisóstamo, São Basílio, São Gregório Nazianzeno, Santo Efrém e sobretudo Santo Agostinho, quem colocou nos lábios de Nos­so Senhor as seguintes palavras: “Considera, ó homem, quanto sofri por teu amor. A minha cabeça foi coroada de espinhos, meus pés e mãos transpassados, meu sangue derramado. E. por último, abri-te o meu coração, e dei-te a beber do precioso sangue que dele corre! Que mais queres? Cheguemo-nos portanto a esta fonte de água viva, cuja água salutar Ele nos dará gratuitamente a beber" (Tract. CXX in Joan.).

Na Idade Média, dessa devoção se ocuparam São Boaventura, Santo Tomás de Aquino, o Beato Henrique Susa, Tauler e o Doutor melífluo, São Bernardo: "Oh! que bom e agradável é habitar neste Coração! Oh! precioso tesouro, pedra rara, encontrada ao cavar-se no campo do vosso Corpo, bom Jesus! Quem poderia rejeitar pérola tão preciosa? Ó Jesus, atraí-me a esse sagrado Coração, e, para eu lá poder morar, lavai-me das minhas iniqüidades" (Tract. de Passione, cap III).

Diversas videntes e contemplativas dos tempos medieval e moderna receberam manifestações desse Sagrado Caração. Assim, as santas: Gertrudes, Mechtilde, Lutgarda, C.atarina de Siena, Magdalenade Pazzi, Catarina de Gênova, Margarida de Cortona, Ângela de. Faligna, Clara de Mantefalco, Margarida da Hungria, Francisca Romana, Joana de Valois, Joana de Chantal, etc.
Nosso Senhor, porém, reservou a Santa Margarida Maria Alacoque as grandiosas revelações sobre seu Sagrado Caração, entre os anos de 1673 a 1675.
O Salvador, nas citadas revelações, lamentou amargamente, a par do rancor, a indiferença com que tantas almas consideram seu adorável Coração.
Cristo ontem, hoje e sempre. Leitor, saiba que é nesse Sagrado Coração que o homem cambalido de nossos dias encontrará sempre os recursos mais inesperados para as situações mais desesperadoras.


Diác. Agnaldo Bueno

quinta-feira, maio 27, 2010


"Deus é inacessível. Não repares, portanto, no que as tuas faculdades podem compreender, nem teus sentidos experimentar, para que não te satisfaças com menos e assim perderes a presteza necessária para chegar a ele".


quarta-feira, maio 26, 2010

São Felipe Néri


São Felipe Néri viveu na Itália no século XVI. Fundou não propriamente uma ordem religiosa, mas uma obra que se chamava Oratório: grupos de padres que moravam juntos. Não faziam os três votos – de pobreza, obediência e castidade — mas sujeitavam-se a um certo regulamento comum.
Era grande orador sacro e exímio teólogo. Conhecia soberbamente a doutrina católica.
Essa obra que São Felipe Néri fundou espalhou-se pela Europa, tendo sido muito perseguida. Por quê? Boa parte do clero do tempo dele antipatizava com a excelente orientação espiritual que o Santo proporcionava aos sacerdotes, e, através deles, aos jovens que procuravam os padres chamados oratorianos.
Uma das grandes figuras do Oratório, em dias próximos aos nossos, foi o famoso Padre Faber, inglês convertido do anglicanismo, que lutou magnificamente contra os protestantes. Foi também um grande propagador da obra de São Luís Maria Grignion de Montfort.
Qual era a acusação que lançavam contra São Felipe Néri? Diziam que ele tinha fundado uma seita! Vê-se, assim, que nada de novo acontece neste mundo...
* * *
Esse quadro apresenta São Felipe Néri já idoso, barba inteiramente branca, sobrancelhas negras, com a fisionomia de um homem que lutou muito e que ainda está no combate. Está olhando atento e desconfiado para um adversário não visível para nós. Dir-se-ia que ele está percebendo formar-se uma trama a certa distância, e que está pensando na argumentação e na rasteira que empregará contra o inimigo.
O caráter de luta é manifesto, não tanto pelo olhar — de muita vigilância e pugnacidade — quanto pelo formato contorcido das sobrancelhas. Assim como um batalhador fica marcado pelas características da guerra, dir-se-ia que, de tanto franzir as sobrancelhas, elas ficaram com o traçado de suas profundas preocupações. Mas, se o olhar é vigilante, toda a atitude do rosto é plácida. É a firmeza do guerreiro católico dotado de coragem.

_________
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira para sócios e cooperadores da TFP em 17 de janeiro de 1986. Sem revisão do autor.

Diác. Agnaldo Bueno

sexta-feira, maio 21, 2010


"Os católicos devem estar atentos e vigilantes,
porque existem forças e grupos
que querem destruir a fé". (Papa Bento XVI)

quinta-feira, maio 20, 2010

"Podemos fazer grandes coisas, grandes obras, grandes atos, mas não podemos fazer nada tão grande quanto ajudar o nosso próximo"

Buenus

quarta-feira, maio 19, 2010



O Espírito Santo é a água Viva que rega nosso coração, a cada dia, para que possamos produzir Seus frutos. Quais são estes frutos?Os frutos do Espírito Santo são: a caridade, a alegria, a paz, a paciência, a afabilidade, a bondade, a fidelidade, a brandura e a temperança..
Vamos conhecê-los um pouco mais?

Caridade é o próprio amor. "O amor é paciente, é bondoso. não tem inveja, não é orgulhoso. não busca seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor..." (I Cr 13, 4-5ss).

Alegria: é verdadeira e não passageira. "A vossa tristeza se há de tornar em alegria" (Jo 16, 20b).
Paz: que só Jesus pode oferecer: "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá."(Jo 14, 27ss).

paciência: é uma conseqüência do fruto da paz e tem íntima ligação com a Fé, a alegria e a paz.

Afabilidade: ou gentileza, é o fruto do Espírito Santo com o qual ajudamos nossos irmãos, como o bom samaritano.

Bondade: "Comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é a bondade..." (Ef 5, 9ss).

Fé: "Tende Fé em Deus. Em verdade vos declaro. Todo o que disser a este monte: levanta-te e lança-te ao mar, se ele não duvidar em seu coração, mas acreditar que sucederá tudo o que disser, ele obterá esse milagre" (Mc 11, 22-23).
Brandura: também chamada mansidão: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra" (Mt 5, 5).

Temperança: é o equilíbrio que recebemos do Espírito Santo para evitarmos exageros e agirmos de acordo com a Vontade de Deus.

Como possuir estes frutos?

Estes frutos só se desenvolvem em nosso coração quando não colocamos obstáculos para que isso aconteça. Caso contrário, eles se tornam verdadeiras "pragas", capazes de destruir nossa "árvore". Essas "pragas" são nossos medos, ressentimentos, amarguras, rejeições, falta de perdão, mágoas, etc.
Se deixamos que estas "pragas" tomem conta de nossa vida e de nosso coração, colheremos outros tipos de fruto. Os frutos da carne: "fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes" (cf. Gl 5, 19).
Podemos escolher quais destes frutos queremos colher em nossa vida: os frutos do Espírito Santo ou os frutos da carne!

Diác. Agnaldo Bueno

domingo, maio 16, 2010

Homilia da Missa de Encerramento do XVI CEN



Irmãos e irmãs,

Encerrando nosso congresso eucarístico, na solenidade da Ascensão do Senhor, louvamos a Deus e lhe damos graças, com profunda adoração e imensa alegria espiritual. Ao mesmo tempo, pedimos seu auxílio e sua bênção para a grande missão que nos espera neste querido Brasil.
O congresso manifestou uma vez mais, que a Eucaristia é fonte e cenro da vida da Igreja e de cada cristão. Neste dias, ao participar da Eucaristia e da adoração eucarística, de modo mais intenso, pedimos a Cristo que desenvolvesse, em cada um de nós, a consciência de sermos seus discípulos, para sermos também seus missionários. De fato, a Eucaristia é força do discípulo e nossa atuação na sociedade humana.
O papa Bento XVI lembra-nos, então, que a Eucaristia tem tudo a ver com o domingo, o Dia do Senhor, e que os fiéis, portanto, não deixem de participar fervorosamente da Missa aos domingos. Realmente, no centro do domingo está sempre a Santa Missa, a Eucaristia. Um domingo sem Missa não é um domingo completo. É preciso renovar nos fieis a consciência da observância deste dia santificado, que inclui a participação na Missa.
Neste contexto, é bom recordar que na história do Brasil ocorreu um exemplo extraordinário da importância do domingo e da Missa dominical. Trata-se do testemunho dos beatos mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte, mortos pelos protestantes calvinistas em 1645m e beatificados pelo sempre lembrado e amado papa João Paulo II. Como sabemos, são dois grupos de mártires, que foram mortos no mesmo ano de 1645. O primeiro grupo foi a comunidade católica de Cunhaú, que com seu sacerdote, o padre André Soveral, foi massacrada enquanto participava da Missa dominical na sua igreja. Era o povo católico do lugar. Gente simples, mas religiosa. Foram mortos homens, mulheres, crianças, jovens e velhos, famílias inteiras, enfim, todos que participavam da Missa naquele dia de domingo. Foram mortos por serem católicos e professaram sua fé antes de morrer. O outro grupo foi morto barbaramente, também por serem católicos, poucos meses depois em Uruaçu, com seu sacerdote, padre Ambrósio Francisco Ferro. Neste grupo se destacou um leigo chamado Mateus Moreira, a quem arrancaram o coração pelas costas, enquanto ele gritava em alta voz: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. Esses mártires, caros irmãos e irmãs, são uma das maiores glórias da Igreja no Brasil. O seu martírio, reconhecido pela Igreja, contém grande força de evangelização. Deveríamos torná-los mais conhecidos e venerados, porque nos ajudariam amar e valorizar o domingo e a Missa dominical.
Voltando ao tema do congresso, “Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários”, é preciso que, diante de Cristo na Eucaristia, nos deixemos por Ele novamente enviar em missão. A própria festa da Ascensão do Senhor, que a Igreja hoje celebra, nos fala da missão. Os Evangelhos relatam que, quarenta dias depois de sua ressureição, Jesus reuniu seus discípulos, deu-lhes as últimas instruções e depois subiu ao céu, onde o Pai o fez assentar-se para sempre à sua direita, cheio de glória e poder. Nos últimos momentos com seus discípulos, antes de sua Ascensão, Ele os enviou em missão ao mundo inteiro, dizendo: “Ide por todo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura. Fazei discípulos meus todos os povos” (cf. Mc 16,15 e Mt 28,19). Eis a missão da qual Jesus encarregou sua Igreja. E Ele acrescentou: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Em consequência, através dos séculos, até nossos dias, a Igreja sente-se impulsionada a esta missão. Contudo, nos tempos atuais manifesta-se uma nova urgência missionária. Os últimos papas não se cansaram de falar deste tema e procuraram renovar a consciência missionária na Igreja de hoje. João Paulo II falou de uma nova evangelização “com novo ardor, novos métodos e novas expressões”. Esta nova missão terá como destinatários, de um lado, as pessoas e os povos que ainda não são cristãos, mas também, de outro lado, os batizados que se afastaram da participação na vida de suas comunidades ou passaram a outras crenças ou mesmo à descrença total. A Igreja tem consciência de que não podemos nos limitar a acolher e atender as pessoas que vêm mais ou que nunca vieram a nossas Igrejas. Bento XVI disse, com razão, que “não basta conservar as comunidades que temos, ainda que isto seja importante”.
Em Aparecida, há três anos, os bispos refletiram de modo amplo e aprofundado esta urgência missionária e chegaram à conclusão que para sermos bons missionários deveríamos ser bons discípulos. Só o bom discípulo, aquele que escuta constantemente a Palavra de Jesus Cristo e o segue na prática da vida, pode tornar-se um bom missionário. Ora, o discípulo se forma no encontro pessoal e comunitário com Cristo, como os Evangelhos, nos mostram ao falar dos primeiros discípulos de Jesus
Ora, meus caros irmãos e irmãs, foi isto também que se propôs como objetivo este Congresso Eucarístico, que ora encerramos: renovar em todos os católicos do Brasil a identidade de discípulos e discípulas de Jesus e a partir desta experiência e prática continuada tornarem-se seus missionários. E quem serão os destinatários da missão? Em princípio, todos. A vontade de Deus é que todos se salvem. Ora, é pela fé e pelo Batismo que se ingressa no caminho da salvação. Mas, como as pessoas podem ter fé se ninguém lhes anuncia o Evangelho? A fé nasce da pregação, disse São Paulo. Por isso, todos os seres humanos têm o direito de ouvir o Evangelho. Às vezes, ouve-s dizer que o importante não é a quantidade, mas a qualidade de nossas comunidades. Errado! comunidades sejam sempre mais qualificadas, vivas e coerentes na fé. Mas, isso não basta. Urge levar o Evangelho a todos que não basta conservar as comunidades que temos, ainda que isto seja importante ( cf. disc. Dos bispos alemães em 2005)
Neste Ano Sacerdotal, é bom recordar também quanto os nossos padres são indispensáveis e insubstituíveis neste novo empenho missionário. É claro que todos os cristãos devem ser missionários, mas os padres têm um papel especial, pois são os pastores das comunidades locais. São os padres que devem fazer a missão nos território de sua paróquia. Para isso, precisam reunir sua comunidade e escolher um bom grupo de leigos e leigas e formá-los para sair com eles em missão, visitando as famílias da paróquia.
Caros padres, a Igreja espera muito de cada um dos senhores para essa missão urgente. Mas, podem também ter a certeza de que a missão os ajudará também a sentirem-se mais padres e a entenderem melhor sua identidade e a serem mais felizes no ministério. A missão precisa de todos vocês, padres. Sem vocês, pouco ou nada acontecerá. E vocês têm muitos modelos em quem se inspirar. A Igreja no Brasil já tem uma bela lista de padres santos e beatos. Lembremos o beato Padre Anchieta, missionário do Brasil; o beato Padre Inácio de Azevedo martirizado em viagem ao Brasil no início da colonização brasileira; os três santos mártires do Rio Grane do Sul, que compartilhamos com o Paraguai, mas morreram mártires em território brasileiros que são os santos Roque Gonzalez, Afonso Rodriguez e João Del Castilho; depois temos o Santo Frei Galvão; os dois beatos mártires do grupo de mártires do Rio Grande do Norte, já citados, isto é, o Beato Padre André Soreval e o Beato Padre Ambrósio Francisco Ferro, temos ainda o Beato mártir Padre Manuel Gómez Gonçalves (do Rio Grande do Sul); o Beato Padre Mariano (de São Paulo) e o Beato Padre Eustáquio (de Belo Horizonte). Os padres do Brasil podem mostrar ao mundo e à Igreja, com santo orgulho, esses seus colegas santos e beatos. Que eles também ajudem cada padre de hoje a viver com fidelidade sua vocação e missão.
Desta missão, os destinatários são todos, mas os pobres deverão ser os destinatários prediletos. O papa Bento XVI, na sua visita ao Brasil por ocasião da Conferência de Aparecida, reuniu-se com os bispos brasileiros na Catedral da Sé de São Paulo. Ali, ao estimular os bispos para a missão, sublinhou que devemos com especial amor aos pobres e visitá-los lá onde vivem, para levá-los a Jesus Cristo. Disse Bento XVI: “Neste esforço evangelizador, a comunidade eclesial se destaca pelas iniciativas pastorais, ao enviar, sobretudo entre as casas das periferias urbanas e do interior, seus missionários, leigos ou religiosos. [...]. O povo pobre das periferias urbanas ou do campo precisa sentir a proximidade da Igreja, seja no socorro das suas necessidades mais urgentes, como também na defesa dos seus direitos e na promoção comum de uma sociedade fundamentada na justiça e na paz. Os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho” (n. 22).
Irmãos e irmãs, ao encerrar este magnífico congresso, recordemos também o seu lema: “Fica conosco, Senhor”. Sim; pedimos ardentemente; “Fica conosco, Senhor!”, porque, a partir da Eucaristia deste congresso, queremos decididamente ir em missão. Mas ao mesmo tempo, temos a consciência de que nada podemos ser sem Jesus Cristo. Ele mesmo o disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5). Por esta razão, pedimos com os discípulos de Emaús: “Fica conosco, Senhor, pois já é tarde e a noite vem chegando” (Lc, 24, 29).
Estas palavras têm uma ressonância especial hoje em dia, quando a Igreja está sofrendo uma crise difícil. Também a Igreja, caminhando na penumbra da noite, anseia pela luz da manhã e suplica: “Fica conosco, Senhor”. A Igreja, por outro lado, sabe que sua súplica é ouvida, pois Jesus mesmo, no momento da Ascensão ao Céu, prometeu: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (MT 28, 20). Prometeu também enviar-nos Seu Espírito Santo. De fato, dez dias depois da Ascensão, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo é derramado sobre os Apóstolos, que estavam em Jerusalém, reunidos em oração, com Maria, no Cenáculo. Dali, eles partem decididamente em missão. A partir de então, através dos séculos, o Espírito Santo será o motor e a luz da missão da Igreja. Nós também precisamos deste Pentecostes para a missão no Brasil. No próximo domingo é Pentecostes. Não percamos este momento. Reunidos em oração com Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, que acompanhou de perto nosso congresso. Peçamos a Deus que envie como renovado vigor sobre todos nós o seu Espírito Santo, para que Ele nos transforme em missionários decididos de Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, queremos partir daqui esperançosos, felizes, decididos e entusiastas para a missão que nos espera. Queremos louvar e agradecer a Cristo pelos dias e horas deste congresso, em que pudemos sentir de perto a presença do Senhor e o calor de sua acolhida. Somos seus discípulos e discípulas, Ele quer contar conosco. Cada um e cada uma de nós, segundo seu estado de vida e profissão, fará sua parte nessa missão. Então, a Igreja no Brasil será florescente e tantos que dela se afastaram, irão reencontrar seu lugar à mesa do Senhor, na Igreja que um dia, no passado, os recebeu e os batizou. A estes, de modo especial, queremos revisitar e ajudá-los a superar os impasses que os afastaram. A eles todos enviamos daqui nossa saudação de irmãos e nosso testemunho de amor.
Tudo na Igreja se ordena para a Eucaristia e da Eucaristia. Parte novamente para o labor apostólico, a fim de buscar e conduzir tantos outros a esta mesa da verdadeira vida, à mesa do Senhor. Portanto, esta Santa Missa, cuja celebração agora vamos continuar, não constitui propriamente um encerramento, mas um ponto alto de nossa missão, uma expressão intensa de nossa fé em Jesus Cristo e um novo impulso para anunciá-lo a todos. Amém.

Cardeal Dom Cláudio Hummes Arcebispo Emérito de São Paulo

Prefeito da Congregação para o Clero